Inteligência de Mídia — Copa do Mundo 2026

TV do fintech brasileiro não caiu após a Copa

A Copa de 2026 emoldurou julho no Brasil e depois foi embora: a seleção caiu nas oitavas em 5 de julho e a final foi no dia 19. A publicidade fintech na TV mal percebeu: entre 29 marcas monitoradas, o volume diário ficou estável o mês inteiro — o dia mais fraco, apenas 34% abaixo do mais movimentado — enquanto liderança e estratégia por baixo mudavam quase por completo.

Por MIA Content Lab 7 min de leitura

O torneio emoldurou o mês e depois foi embora. A Copa de 2026 disputou suas fases eliminatórias durante a primeira metade de julho e sua final no dia 19; a própria trajetória do Brasil terminou cedo, batido pela Noruega nas oitavas de final em 5 de julho. Seria de se esperar que os anunciantes do país seguissem esse arco — um pico, e depois um colapso.

Não seguiram. Entre as 29 marcas fintech que a MIA monitorou na televisão brasileira, o volume diário se manteve notavelmente estável o mês inteiro: o dia mais fraco ficou apenas 34% abaixo do mais movimentado. A atividade atingiu o pico em 10 de julho, durante as quartas de final, e voltou, nos dias finais do mês, ao mesmo piso já alcançado em 21 de julho, o primeiro dia útil após a final — a própria eliminação do Brasil quase não apareceu no agregado.

29 marcas fintech monitoradas na TV brasileira, de 1º a 31 de julho de 2026 · o dia mais fraco ficou 34% abaixo do mais movimentado · o volume atingiu o pico em 10 de julho (quartas de final) e o piso em 21 de julho (primeiro dia útil após a final) e novamente em 31 de julho.

A história está inteiramente na composição. A liderança mudou de mãos, uma casa de investimentos irrompeu no pódio, e a marca mais seguida do mercado passou a última semana sem se explicar.

O Bradesco assume a liderança na TV fintech do Brasil

Bradesco — inserção de TV, 30s TV aberta · Brasil · sua inserção mais veiculada do mês, sobre a plataforma de cartão de viagens que tomou a liderança do C6 Bank

O Bradesco tomou a liderança do C6 Bank — 15,7% das inserções monitoradas contra 14,5% do C6 — depois de uma largada lenta: o C6 o superou por quase quatro para um na semana de abertura. O Bradesco reverteu isso na metade do mês e superou o C6 semana após semana a partir de 15 de julho, o suficiente para ultrapassá-lo no acumulado até o fim do mês. A vitória também se sustenta em qualidade: o Bradesco tem presença real na TV aberta (550 inserções, 27% de sua própria grade) contra as 12 do C6 (bem menos de 1%), porque 99% do volume do C6 está em seis canais de entretenimento pago (TNT, TNT Series, Discovery Channel, Discovery Home & Health, Space e Warner) nos quais não enfrenta nenhuma concorrência fintech. O C6 também cortou seu ritmo diário em mais da metade assim que a final foi disputada.

O movimento mais acentuado foi de uma casa de investimentos. A XP Inc elevou seu peso na TV em 153% frente às quatro semanas anteriores, subindo do sexto para o terceiro lugar — quase inteiramente ao comprar patrocínio de transmissão da Copa em uma família de canais esportivos (63% das próprias inserções da XP) e combinando isso com comerciais consultivos de 30 segundos em inventário pago não esportivo; a XP não comprou nada de TV aberta. Ao agrupar as variantes numeradas de canal nas famílias que os espectadores realmente percorrem, o esporte foi, de fato, a maior arena do mês, com um terço de todas as inserções monitoradas — mais do que a TV aberta como um todo.

Onde a escala parou de prever o engajamento

Itaú — Reel do Instagram O post mais engajado da categoria: um sorteio da final da Copa contado como falso documentário

As redes sociais são, antes de tudo, Instagram, apoiado em Stories. Mais de nove em cada dez posts monitorados saíram no Instagram; menos de um em cada vinte foi para o TikTok. Os Stories dominam o volume, mas entregam alcance mais do que interação, então as comparações de engajamento pertencem aos formatos de feed.

E ali, o tamanho parou de importar. O Mercado Pago somou mais engajamento total do que o Nubank, 210.500 interações contra 64.900, com apenas 18 posts frente aos 29 do Nubank, e, por post, superou o Nubank em mais de cinco vezes, mesmo o Nubank tendo em média cerca de 60% mais seguidores. O mês inteiro do Mercado Pago foi uma única oferta de renegociação de dívidas, repetida por criadores diferentes em registros diferentes. O Itaú, por sua vez, liderou a categoria em interações totais de forma direta, e usou sua última semana para que criadores filmassem os letreiros de suas agências, discretamente reduzidos a apenas duas letras, pedindo aos seguidores que adivinhassem o motivo — mídia paga usada para reter informação em vez de entregar uma oferta.

Três respostas para a mesma pergunta

Warren — anúncio digital, vídeo no Meta Um resumo semanal de mercado rodando como mídia paga — voz editorial, distribuição paga

As plataformas de investimento do Brasil passaram julho respondendo a uma única pergunta, como fazer o investimento parecer urgente, e deram três respostas incompatíveis. A XP comprou o torneio e construiu um festival em torno dele. O BTG Pactual não teve nenhuma presença de TV monitorada e concentrou seu conteúdo de redes mais engajado em um plano de saúde para pets.

A Warren seguiu um terceiro caminho, e o fez em meio a uma mudança de controle: em 2 de julho, o aplicativo de investimentos argentino Cocos Capital concordou em adquirir seus ativos principais, em uma operação avaliada em cerca de US$ 60 milhões, segundo apurado, e estruturada majoritariamente como troca de ações, com investidores de risco como a Kaszek convertendo sua posição em ações da Cocos. A conclusão da operação ainda depende da aprovação do banco central. Durante tudo isso, a Warren não teve presença na TV e publicou no ritmo mais baixo de qualquer marca de investimento que a MIA acompanha, ainda liderando com uma série de entrevistas longas apresentada por seu próprio economista-chefe. Depois, em 27 de julho, surgiu um conjunto completo de criativos do Google Ads onde, um mês antes, a MIA não havia registrado nenhum — produtos previdenciários, enquadramento tributário, convites para abrir conta. Quatro semanas após a assinatura, esse é o primeiro sinal visível do novo controle.

Totais estáveis são fáceis de confundir com um mês tranquilo. O agregado de julho quase não se moveu, mas quase todas as posições por baixo dele mudaram.

Como isso foi feito: os números vêm do monitoramento competitivo da MIA (Plataforma MIA) da categoria fintech no Brasil, em TV aberta, TV paga e redes sociais, de 1º a 31 de julho de 2026 — inserções regulares de TV (tipo de canal, faixa horária e classificação de audiência), agrupadas nas famílias de canais que os espectadores realmente percorrem, além de posts sociais, criativos de bibliotecas de anúncios e condições de M&A divulgadas publicamente. As métricas são participações e contagens observadas, não estimativas de investimento; nenhum nível de gasto é declarado.

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