Inteligência de Mídia — Copa do Mundo 2026

Peru vs Chile, fase de grupos da Copa 2026: a onda publicitária das apostas

Nem o Peru nem o Chile se classificaram para a Copa de 2026. E, ainda assim, durante a fase de grupos suas telas viveram uma das ondas publicitárias mais intensas da região: dezenas de casas de apostas competindo por um torneio que suas seleções assistem de casa.

Por MIA Content Lab 6 min de leitura

Há uma regra não escrita no marketing esportivo latino-americano: quando a seleção joga, as marcas gastam. A Copa do Mundo de 2026 acabou de provar o contrário. No Peru e no Chile — dois mercados que não chegaram ao torneio — o apetite dos anunciantes não caiu um único grau. A bola rolou, e o investimento em publicidade também.

Durante a fase de grupos (11–28 de junho), a MIA monitorou a publicidade da indústria de apostas na televisão, nas redes sociais e nas buscas nos sete principais mercados da região. A descoberta mais contraintuitiva não veio das potências classificadas — veio das ausentes.

62M de buscas mensais de iGaming no Peru — sem nenhuma seleção no torneio · +40% mais spots de iGaming por dia no Chile, onde a busca paga de apostas é restrita · 5 casas de apostas em empate técnico pela tela peruana.

Dois mercados que não esfriaram

Visto dia a dia, o efeito Copa do Mundo é inconfundível. Tanto no Peru quanto no Chile, o volume de anúncios de iGaming se manteve estável na preparação e, no instante em que a bola rolou em 11 de junho, disparou — e permaneceu alto.

Spots diários de iGaming — Peru vs Chile

Plataforma MIA · 4 jun – 28 jun de 2026 · TV + rádio · fase de grupos da Copa destacada

PeruChile
COPA · 11 JUN 400 650 900 1,150 1,400 4 jun7 jun11 jun15 jun19 jun23 jun28 jun

No momento em que a bola rolou em 11 de junho, o volume diário deu um salto em ambos os mercados e se manteve elevado por toda a fase de grupos: o Peru teve média de mais de 1.100 spots por dia e o Chile cerca de 760, bem acima de suas linhas de base pré-torneio (cerca de +59% e +40%), apesar de nenhuma das duas seleções ter se classificado.

Peru: cinco casas, uma tela, contagens de spots quase idênticas

Betano — "Confía en Betano" (Peru) Patrocínios (classificados por IA) · Plataforma MIA

O Peru foi um photo finish. Cinco operadoras terminaram a fase de grupos a poucos décimos de ponto umas das outras, em uma das divisões mais apertadas já medidas na região — medido como share of voice (a fatia de cada marca no total de spots de iGaming detectados): Betano (14,5%), Te Apuesto (14,4%), Doradobet (12,7%), Betsson (12,5%) e Apuesta Total (10,7%) — apenas um décimo de ponto percentual separa o primeiro do segundo. Nenhuma afrouxou esperando por uma seleção que não estava lá.

Por que tantas marcas disputando uma seleção que não estava jogando? Porque o Peru regulamentou o jogo online desde 2024, com um mercado aberto que atraiu mais de 200 operadoras internacionais. O resultado é um dos ambientes mais competitivos — e saturados — da região, onde a diferenciação de marca é tudo. E, ao contrário do Chile, os anúncios de apostas em buscador funcionam sem travas aqui: parte desse apetite também se desenrola nas buscas pagas.

A líder, Betano, fez isso vestindo o torneio: sua peça mais repetida no Peru se apresentava, sem rodeios, como a “Promotora Oficial da Copa do Mundo FIFA 2026.” Um patrocínio global ativado ao máximo em um país cuja seleção não se classificou — porque o público estava assistindo de qualquer forma.

Chile: a TV carrega o peso — porque a busca paga é restrita

Jugabet — "Haz tu apuesta legendaria" (Chile) TNT Sports HD · Chile · Plataforma MIA

O Chile contou uma história diferente, e a explicação é regulatória. O jogo online vive aqui em um limbo pré-legislativo: ainda não há lei que o autorize ou o proíba, mas a busca paga de apostas é restrita — os anúncios de apostas em buscador não são aprovados para o Chile. Para as operadoras, isso mantém fechada a porta da busca paga e empurra a competição para a televisão, o rádio e os patrocínios. E foi ali que a competição se concentrou: a Betano liderou com 19,3% de share of voice, seguida por MiCasino (16,1%) e Jugabet (9,8%), com mais de vinte operadoras ativas na tela durante a fase de grupos.

Isso também explica por que o rastro de busca paga é quase inexistente: com os anúncios de apostas em buscador restritos no Chile, as buscas pagas mal aparecem. Ao longo de toda a janela, a pegada em buscador do iGaming chileno foi praticamente orgânica, com apenas um lampejo ocasional de inserção paga — do tipo que surge quando uma operadora quebra a regra e fica no ar brevemente até ser retirada, ou quando se usam táticas cinzentas como semear posts de blog que depois mencionam as marcas. Nada disso é um canal de busca sustentado. Esse rastro de busca tão fino não é uma preferência de mídia: é a consequência direta de um mercado ainda sem marco legal.

Torne sua aposta lendária. — Slogan de campanha, Jugabet Chile

Peru · Regulamentado — mercado aberto desde 2024 (mais de 200 operadoras); busca paga permitida, então a disputa se desenrola na TV, nas redes e nas buscas pagas. Chile · Pré-regulamentação — ainda sem lei de jogo online e com a busca paga de apostas restrita (apenas lampejos esporádicos), então a disputa paga se apoia na TV, no rádio e nos patrocínios.

Não é só quantos anúncios, mas o que eles diziam

Cada peça veiculada não é apenas um dado de frequência. O motor de análise da MIA transcreve e classifica cada spot por tipo de comunicação, presença de bônus e chamada para ação. Em toda a região, a categoria dominante durante a fase de grupos foi “Apostas Esportivas,” e cerca de 42% das peças de iGaming na TV traziam uma promoção ou bônus como gancho — da “aposta grátis por se cadastrar” da Betsson aos Happy Hours de fim de semana.

O desejo não se classifica — ele se mede

A lição para qualquer anunciante ou agência é desconfortável e valiosa ao mesmo tempo: a demanda em torno de uma Copa do Mundo não depende de a sua seleção estar jogando. O público assiste de qualquer forma, e a concorrência sabe disso. Quem presume que um mercado “esfria” após uma eliminação entrega a tela — e o tráfego orgânico — a quem de fato está lendo os dados.

Mas o formato dessa competição é ditado pela regulamentação de cada país: no Peru regulamentado, ela acontece em todos os canais; no Chile pré-legislativo, ela se concentra na TV, porque a busca paga é restrita. Ler os dados sem o marco legal — ou o marco sem os dados — deixa metade da história de fora. No papel, Peru e Chile são dois mercados fantasmas; na realidade, são dois mercados intensamente disputados. Entender por quê, mercado a mercado, é o que transforma o torneio dos outros na sua própria oportunidade.

Como isto foi feito: todos os números vêm do monitoramento próprio da MIA (Plataforma MIA), atualizados até 28 de junho de 2026, sobre a janela da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 (11–28 de junho). As métricas são contagens observadas — spots de TV e rádio detectados, interações sociais, classificações criativas por IA e volumes de busca de um único snapshot —, não estimativas de investimento. O contexto regulatório (Peru regulamentado desde 2024; Chile em pré-regulamentação, com a busca paga de apostas restrita) vem da inteligência de mercado da MIA.

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